Estudo 14 – Debaixo do capô

É importante reconhecer esta distinção entre união e comunhão. Nossa união com Deus é unilateral ou de mão única. E, uma vez que é inteiramente obra de Deus, nada que fazemos pode alterar nosso status para com Deus. Mas Deus nos salvou para que pudéssemos ter comunhão com ele; e esta comunhão com Deus é de mão dupla. Deus se relaciona conosco e nós, em resposta, nos relacionamos com Deus. Assim, nós contribuímos para o relacionamento e, portanto, o que fazemos pode afetar a nossa experiência de Deus.

Jesus se manifestou para que as pessoas pudessem ter comunhão com Deus. Juntos, nós participamos da vida da Trindade. Somos da família de Deus; ele é nosso Pai, Jesus é nosso irmão e temos uns aos outros como irmãos e irmãs; o resultado é uma comunidade na qual a alegria se faz plena. O Pai tem prazer no
Filho, e ele tem prazer de compartilhar conosco esse prazer. Nós temos prazer no Filho, e temos alegria por compartilhar este prazer com outros. Alegria completa!

COLOCANDO EM PRÁTICA
A cada dia nestes próximos dias, separe algum tempo para relembrar cada um dos princípios aprendidos em cada capítulo.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Qual a importância do princípio do três-e-um para sua vida cristã?

• Qual a importância do princípio união e comunhão para sua vida cristã?

• Qual capítulo falou mais com você? Por quê?

• De que formas você experimentou mais de Deus durante estes estudos?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

Estudo 13 – Em arrependimento e fé diários, podemos experimentar a liberdade de Deus.

À medida que tenho refletido sobre o significado de deleitar-se em Deus, penso que a razão principal de eu não me deleitar em Deus mais do que tenho feito é que não há arrependimento o suficiente.

Se Deus parece distante, é porque você o mantém à distância. Talvez esteja alimentando a tentação, de sorte que seu coração está dividido. Talvez esteja se escondendo envergonhado. Não há necessidade disso. Deus está pronto a cercá-lo com seu amor infalível.

O arrependimento não parece algo divertido. Ele envolve você admitir que está errado ou dizer não aos prazeres do pecado. Mas pense no arrependimento como a porta de acesso aos prazeres de Deus.

COLOCANDO EM PRÁTICA
A cada dia nesta semana, separe algum tempo para identificar, confessar e rejeitar o pecado. Faça a si mesmo quatro perguntas:

1. Que justificativas estou criando? Muitos de nós odiamos os efeitos do pecado em nossa vida — o sentimento de vergonha ou os relacionamentos rompidos —, mas ainda amamos o pecado em si. Por isso, culpamos a nossa criação, as outras pessoas ou as circunstâncias. Isso permite que nosso pecado permaneça intocável. Mas se você não matar o pecado, o pecado matará você.

2. Como posso fugir da tentação? Não pergunte: “O que é permitido?” ou “Até onde posso ir sem pecar?”. Pergunte a si mesmo: “Quão longe posso correr?”. Como você pode evitar as coisas que o encorajam a pensar de modo pecaminoso? Como você pode evitar situações em que possa ser tentado?

3. Como posso apegar-me a Deus em vez de pecar? Como Deus lhe oferece algo melhor do que o seu pecado? Como você pode incitar suas afeições de modo que o seu amor por Jesus seja maior que o seu amor pelo pecado?

4. Quem pode me ajudar? A quem você pode pedir para encorajá-lo e desafiá-lo? A quem você pode prestar contas? Quem lhe falará francamente? Não busque apenas empatia. Um pouco de empatia é algo bom, porém empatia indiscriminada o encoraja em seu descontentamento ou vitimização. Quem irá levá-lo para longe de suas desculpas e o apontará para Jesus?

AÇÃO
A cada dia nesta semana, separe algum tempo para identificar, confessar e rejeitar o pecado.
Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela
Meia hora depois, Marcos finalmente chega ao trabalho. “Como foi a igreja?”, Bob pergunta. Bob é o único colega cristão de Marcos. Como foi a igreja? A verdade é que a igreja parece ter sido muito tempo atrás. Ontem, o pastor falou sobre um relacionamento com Deus. E, no domingo, parecia ser uma possibilidade real. Mas aquilo foi no domingo, hoje é segunda. Hoje aquilo parece inalcançável. Se ele apenas tivesse mais tempo para orar, então talvez ele pudesse deleitar-se em Deus. Talvez ele pudesse recriar aquele sentimento
que havia desfrutado na manhã de domingo. Ou talvez ele tenha de esperar até o domingo que vem. Domingo que vem? Ainda é apenas a manhã da segunda-feira.
Mas Marcos pensa de novo. Deus deixou suas impressões digitais por toda a manhã da segunda-feira.
Marcos pensa naquele sanduíche de bacon — uma dádiva do seu Pai. Ele pensa no propósito do Pai para com os atrasos do trem (embora aquilo fosse um tanto misterioso) e o deleite de Deus nas orações vacilantes que ele fez pela manhã. Ele pensa na graça do Filho em meio às suas falhas ao longo do dia, sua presença em meio à sua tristeza, seu toque em meio à comunhão. Ele pensa no socorro do Espírito na tentação, sua lembrança da glória vindoura e o modo como o Espírito lhe falara por meio da Palavra de Deus. Até mesmo Bob é um sinal do amor de Deus. Foi uma manhã cheia para Deus!
Pai, tu estás tão envolvido em minha vida, todo dia. Perdoa-me por todas as vezes que te evitei por desejar viver à minha maneira. Eu falho tantas vezes, mas o teu amor é infalível. Quero viver minha vida cercado por este infalível amor”.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Quais são algumas das maneiras pelas quais você minimiza e justifica o pecado ou alimenta a tentação?

• Quais são os seus “ritmos” de arrependimento? Há algo que você precise fazer para inseri-lo em sua rotina?

• O fato de você voltar-se para Deus em arrependimento depende de como você o enxerga. Pense na última vez que você se sentiu culpado pelo pecado. Como você enxergou Deus? Como o Salmo 32.10 nos ensina a enxergar Deus nesses momentos?

• Pense sobre um pecado específico contra o qual você lute. Pergunte a si mesmo: que justificativas estou dando? Como posso fugir da tentação? Como posso apegar-me a Deus em vez de pecar? Quem pode me ajudar?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

Estudo 12 – Em comunhão uns com os outros, podemos experimentar o amor de Deus.

Deus nos deu a igreja para nos ajudar a desfrutar dele. A comunidade cristã é o principal contexto no qual você experimenta a alegria divina. Estou ciente de que esta é uma reivindicação ousada. Da próxima vez que se reunir com a sua igreja, olhe ao redor; o cenário poderá não parecer muito promissor. Mas se você olhar com os olhos da fé, verá em seus irmãos e irmãs centenas de maneiras pelas quais a alegria e o amor divinos se fazem plenos.
• Desfrutamos de Deus ao receber amor
• Desfrutamos de Deus ao dar amor

COLOCANDO EM PRÁTICA
Como a sua comunidade cristã pode ajudá-lo a deleitar-se em Deus? Como você pode ajudar outros a deleitarem-se em Deus. Aqui vão algumas ideias.

1. Encontre alguém com quem orar, um a um. Você não precisa contar a todo mundo suas lutas; porém, ter pelo menos uma pessoa com quem possa ser honesto e franco faz uma grande diferença. Encontre alguém que o ame a ponto de falar-lhe diretamente — alguém que irá falar “a verdade em amor” (Ef 4.15).
Ouça as palavras dele como uma mensagem do próprio Cristo. E não se esqueça de falar a verdade em amor para ele também.

2. Deixe as pessoas cantarem para você. Uma das coisas que gosto de fazer de vez em quando é parar de cantar e ouvir como se a canção estivesse sendo cantada apenas para mim. Pode ser um momento muito poderoso. Toda a verdade da canção é direcionada com todo o poder da música para o meu coração. É claro que não podemos fazer isso todos ao mesmo tempo; do contrário, não restará ninguém cantando. Mas experimente de vez em quando. Ajuda se você se sentar mais à frente, de modo que a maioria das pessoas esteja cantando na sua direção — um muro de som vindo até você para incitar suas emoções.

3. Olhe para as pessoas ao tomar a comunhão. As pessoas frequentemente fazem da Ceia do Senhor um momento particular entre elas e Deus. Porém, trata-se de um momento comunitário. “Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão” (1Co 10.17). Então olhe para seus irmãos e irmãs tomando o pão e o vinho. Reflita sobre a graça de Deus na vida deles. Pense que coisa maravilhosa é que pessoas tão diferentes estejam reunidas como família por meio do evangelho.

4. Convide alguém para uma refeição. Jesus passou grande parte do seu ministério assentado à mesa, tomando refeições com as pessoas. Essa era a sua maneira de expressar comunidade com as pessoas e a sua maneira de fazer missão. Ao comer com pecadores, ele poderosamente encarnava a graça de Deus para com eles. Nós, também, podemos encarnar a graça de Deus para com as pessoas numa refeição ao redor da mesa.

É uma maneira de oferecer amizade. Se as suas circunstâncias tornarem difícil receber pessoas em casa, convide-as para um café ou um piquenique. Uma refeição é o melhor primeiro passo para viver em comunidade.

AÇÃO
Comece a convidar alguém de sua igreja para uma refeição.
Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela
“Desculpe-me a bagunça”, diz Amanda. Emanuela sorri. A casa de Amanda é sempre bagunçada. Ela tira uma pilha de roupas da cadeira e a coloca sobre a mesa, para Emanuela poder se sentar. Amanda lhe serve uma xícara de chá bem forte. Emanuela não entende como Amanda consegue lidar com aquele caos.
Por nada neste mundo, porém, ela cancelaria aquele tempo semanal juntas. Amanda tem sido um grande encorajamento nos últimos anos. É tão proveitoso conversar sobre os problemas, orar juntas, dividir algumas lágrimas. Quando Rosa morreu, houve momentos em que Emanuela questionou o amor de Deus. Mas, de algum modo, o amor de Deus sempre parecia mais evidente depois de ela passar tempo com Amanda.
“Você é literalmente uma enviada de Deus”, diz Emanuela. Amanda levanta a sobrancelha, sem compreender.
“O dia não começou muito bem”, explica Emanuela. “Mas aqui está você com uma xícara de chá — um pequeno presente de Deus”. “Eu ou o chá? Qual é o presente de Deus?”, Emanuela sorri. “Os dois. Definitivamente, os dois”.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Em que ocasião uma palavra de outro cristão teve um poderoso impacto em seu coração? Ou em que ocasião você experimentou o amor de Deus por meio da bondade de outros cristãos?

• Em que ocasiões você descobriu que a busca egoísta da felicidade é autodestrutiva?

• Pense nos cristãos que você conhece e que estão demasiadamente preocupados consigo mesmos, seus desejos e seus status. E pense nos cristãos que você conhece e que estão mais preocupados em servir aos outros e com a glória de Deus. Quais são mais felizes?

• Na economia de Cristo, dar é receber. O que você pode dar?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

Estudo 11 – Em cada palavra, podemos experimentar a voz do Espírito.

Oração, fraternidade, adoração, culto e sofrimento, todos são meios que Deus nos dá para desfrutarmos do nosso relacionamento com ele e nos aprofundarmos nele.

A Bíblia não é apenas um registro do que outrora aconteceu e do que outrora foi dito. Quando a Bíblia é lida, algo acontece. Quando a Bíblia é lida ou pregada, Deus fala. Em cada palavra, podemos desfrutar da voz do Espírito. Aqui mesmo, agora mesmo.

COLOCANDO EM PRÁTICA
Uma vez que a Bíblia é o modo como ouvimos a voz de Deus e desfrutamos da sua presença, desejaremos lê-la intencionalmente. Por isso, é maravilhoso ter um plano de leitura bíblica ou utilizar um devocional bíblico diário. Mas não confunda os meios com o fim. O objetivo é desfrutar de Deus; o plano de ler a Bíblia todos os dias é apenas o meio. Por isso, não sinta a necessidade de “correr atrás do prejuízo” se perder algum dia do plano — apenas pule aquele dia ou siga um dia atrasado. O objetivo não é marcar um xis em sua lista de
tarefas. O alvo é ouvir a voz de Deus. Não é como se, ao ler a Bíblia por dez minutos, você fosse receber graça proporcional a dez minutos para aquele dia. Nós vamos à Palavra para ouvir o nosso Salvador falar conosco.

Eis aqui uma maneira prática de pôr tudo isso em prática. Desenvolva o hábito de orar enquanto lê a Bíblia. Transforme a fala de Deus numa conversa de mão dupla, adorando por meio da Palavra. Muitas orações registradas na Bíblia são, na verdade, promessas bíblicas viradas em sentido contrário, apresentadas
de volta a Deus na forma de petições. Uma maneira de fazer isso é ler a passagem como um todo e, depois, relê-la um ou dois versículos de cada vez. Depois de cada seção, transforme o que você leu em oração. Você pode responder com louvor, confissão, ação de graças ou petição. No caso de uma narrativa bíblica, você pode concentrar-se em dois ou três versículos que capturem a sua atenção, ou pode sintetizar o envolvimento de Deus naquela história.

Tomemos João 14 como exemplo. Você pode ler os versículos 1 a 10 para ter o panorama geral e, então, reler o versículo 1 apenas.

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim ( Jo 14.1).

Você pode iniciar confessando algumas das maneiras pelas quais o seu coração fica angustiado, perturbado.
Então, alegre-se no convite de Cristo para confiarmos nele. Esta é uma oportunidade de deixar com ele as suas tribulações. Então, releia os versículos 2 e 3:

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também ( Jo 14.2, 3).

Agradeça a Jesus por preparar-lhe um lugar junto a Deus, por meio de sua morte e ressurreição. Agradeça a ele pela promessa de que ele voltará para podermos estar juntos. Peça-lhe que o ajude a enxergar suas tribulações à luz da eternidade.

[ Jesus disse:] E vós sabeis o caminho para onde eu vou. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim ( Jo 14.4–6).

Agradeça a Jesus por mostrar-lhe o caminho para Deus e lhe dar a promessa da vida eterna. Ore para que seus familiares e amigos descrentes também venham ao Pai por meio de Jesus.

[ Jesus disse:] Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto. Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai […] ( Jo 14.7–9).

Louve a Deus por ele ter-se revelado perfeitamente em Jesus. Louve-o por todos os aspectos do seu caráter que vemos nas ações e nas palavras de Jesus. Expresse seu desejo de conhecer mais do Pai por conhecer mais de Jesus.

[…] como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras ( Jo 14.9, 10).

Por meio das palavras de Jesus (escritas a nós na Bíblia), o Pai faz a sua obra. Estamos de volta ao ponto de onde começamos. Deus está presente e ativo por meio da sua Palavra. Ore para que Deus opere em sua vida por meio das palavras de Jesus, assim como na sua igreja e na missão da sua igreja.

Ler a Bíblia é um processo educacional. Enquanto lemos, aprendemos sobre Deus. Mas é muito, muito mais do que isso. É também um processo relacional. Cada palavra que lemos ou ouvimos ser pregada é uma oportunidade para desfrutarmos da comunhão com Deus. Em cada palavra lida, podemos encontrar-nos com Deus e ouvir a sua voz.

Por que eu digo à minha esposa: “Eu te amo”? Afinal de contas, eu já disse isso antes. Não é uma nova informação. Mas ela nunca reclama por eu dizê-lo de novo. As palavras “eu te amo” a tranquilizam e a fazem sentir-se segura. É o mesmo com o povo de Deus, a quem Jesus se refere como sua noiva. Todos os dias, nossos pecados nos dão razões para nos questionarmos se Cristo ainda nos ama. Porém, todos os dias — se apenas lhe dermos ouvidos —, Cristo nos reassegura seu amor, em sua Palavra. O seu principal objetivo ao ler a Bíblia não é encontrar ideias novas ou inovadoras (embora você possa encontrar algumas novas ideias ao ler). Faça com que seu objetivo seja ouvir a voz de Deus e encontrá-lo em sua Palavra.

AÇÃO
A cada dia nesta semana, ore por meio de uma passagem da Escritura.
Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela Marcos fecha os olhos. Tenta lembrar o sermão de ontem. O que o pastor disse? Algo sobre Cristo ser a nossa justiça. Nada de novo. Marcos ouvira aquilo muitas vezes antes. Mas foi um grande conforto ouvir aquilo ontem. E era um conforto lembrar-se daquilo, de novo, esta manhã.
Marcos pensa no dia que terá pela frente. É tão fácil para ele encontrar sua identidade no seu trabalho. Se o dia correr bem, ele se sentirá muito bem consigo mesmo. Mas, se o dia for ruim, ele irá arrastar-se para casa completamente desanimado. Sua mente se volta para a reunião mensal que terá com o chefe à tarde.
Como ele se sentirá depois dela? Mas, então, ele pensa em si mesmo apresentando-se diante de Deus, coberto com a justiça de Cristo. Ele pensa em toda a dignidade de Cristo o envolvendo. Durante o sermão de ontem, ele sentira como se Deus estivesse falando diretamente a ele. Uma palavra de Deus somente para ele, somente para aquela reunião da tarde. “E agora”, ele pensa, “o Espírito Santo está me lembrando daquela palavra”.
Pouco depois disso, Emanuela está caminhando até a porta da casa de Amanda. Elas se encontram quase toda semana para ler a Bíblia juntas e orar. Emanuela tenta lembrar-se do que elas haviam lido na semana passada. Algo em Filipenses. Algo sobre conhecer a Cristo. Fosse o que fosse, ela se lembra de ter ficado empolgada com o assunto na ocasião.
Isso mesmo: viver é Cristo e morrer é lucro — algo assim. O Espírito Santo de fato havia falado com ela enquanto ela e Amanda liam juntas a Bíblia. Até a morte é uma boa notícia se você está vivendo para Cristo.
Aquilo fora tão tranquilizador! Ainda é. Não importa o que ocorra com ela ou com sua família, ela sempre terá a Cristo. “Preciso ouvir isso repetidamente”, Emanuela pensa. “Obrigado, Espírito Santo, por me lembrar do evangelho na semana passada. Por favor, continua a mantê-lo vivo em minha mente”.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Em que situações a leitura da Bíblia parece um maravilhoso deleite para você? Quando ela parece uma tarefa desgastante? O que faz a diferença entre umas e outras situações?

• Qual a última vez em que você sentiu que Deus falava com você por sua Palavra? Como você poderia se aproximar da sua Palavra de modo a ouvir a sua voz?

• Como você planeja a sua leitura bíblica? Que mudanças você poderia fazer?

• Como você experimentou o envolvimento do Espírito Santo em sua vida nas últimas 24 horas?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

Estudo 10 – Em cada gemido, podemos desfrutar a esperança do Espírito

Podemos ter sido adotados e ter o Espírito de adoção, porém nosso corpo ainda não está redimido. Sentimos o quebrantamento do mundo, às vezes em nosso próprio corpo, e então gememos. Somos pessoas quebradas vivendo num mundo quebrado.

Eis aqui a diferença que o Espírito faz. Para a maioria das pessoas, o gemido é um olhar para trás. Para os cristãos, porém, o gemido é também um olhar para frente. Sabemos que as coisas não são do modo como serão. E isso é obra do Espírito.

O ponto central é este: o Espírito transforma e transfigura nossos gemidos, para que eles se tornem parte dos meios pelos quais Deus realiza seus propósitos em nossa vida. E o grande propósito de Deus é nos fazer semelhantes ao seu belo e glorioso Filho.

COLOCANDO EM PRÁTICA
João Calvino nos recomenda o que chama de “meditação da vida futura”.5 Ele tem em mente um tipo de disciplina espiritual. Devemos separar tempo para pensar sobre as promessas futuras de Deus — a renovação da criação, a redenção do nosso corpo e nossa adoção como filhos. Devemos relembrar uns aos outros a “glória eterna” que nos aguarda. Devemos olhar para as nossas tribulações a partir dessa perspectiva, para que, em comparação, elas pareçam “leves e momentâneas” (2Co 4.17, 18). Devemos nos lembrar de que
somos peregrinos, caminhando por este mundo de passagem para “uma pátria superior” (Hb 11.13–16; 1Pe 1.1; 2.11). “Embora os cristãos sejam agora peregrinos na terra”, diz Calvino, “não obstante, por sua confiança, se elevam acima dos céus, de modo que afagam em seu peito sua futura herança com tranquilidade”. O que nos livra da busca infrutífera por tesouros terrenos é a esperança do tesouro celestial (Mt 6.19, 20; 1Tm 6.17–19).

Meditar na vida futura é algo que podemos fazer de modo regular, talvez como parte de nossa rotina de leitura da Bíblia e oração. Mas também é algo que podemos fazer sempre que gememos. Cada gemido que você profere — desde o suspiro que faz ao levantar-se da cadeira até o doloroso vazio do luto — é um convite para desfrutar da esperança do Espírito. Para alguns de nós, isso acrescenta muitas oportunidades a cada dia — muitas oportunidades para olhar para o futuro com ardente expectativa.

AÇÃO
A cada dia nesta semana, separe algum tempo para pensar sobre a vida eterna na nova criação.
Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela
O trem lentamente começa a parar. Marcos se abaixa para olhar pela janela, esperando ver a plataforma da estação se aproximando. Mas tudo o que ele vê é uma placa avisando: “Em virtude de uma falha no semáforo, teremos um atraso de quinze minutos. Pedimos desculpas por qualquer inconveniente que isso possa causar”. Marcos dá um alto gemido. Ele não é o único. O vagão desperta com gemidos compartilhados.
Marcos fecha os olhos. Tenta lembrar o sermão de ontem. O que o pastor disse? Algo sobre Cristo ser a nossa justiça. Nada de novo. Marcos ouvira aquilo muitas vezes antes. Mas foi um grande conforto ouvir aquilo ontem. E era um conforto lembrar-se daquilo, de novo, esta manhã.
Era assim que tudo deveria ser? Não. Este é um mundo quebrado, pensa Marcos. E, verdade seja dita, ir para o trabalho e voltar para casa não são a pior coisa do mundo — longe disso. Em todo caso, isso terá um fim. Um dia, Cristo retornará e fará novas todas as coisas. Haverá essas idas e vindas na nova criação? Provavelmente não, Marcos pensa. Ou, se houver, não será dessa forma. Ele olha ao redor na estação: pessoas cuja única esperança é uma aposentadoria saudável. “Espírito Santo”, ele diz, “obrigado por me lembrar da
maravilhosa esperança que possuo”.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Que situações o fazem gemer — de forma audível ou interiormente?

• Pense numa ocasião recente em que você gemeu. Como o seu gemido serviu para lembrá-lo de que este mundo não é o que ele será? Como essa situação que provocou o seu gemido será transformada na nova criação?

• Pense sobre um momento difícil em sua vida. Pense sobre os modos como o Espírito Santo o ajudou a passar por ele.

• Qual foi a última vez que você pensou sobre a vida eterna com Jesus, na nova criação? Que diferença isso fez para a sua atitude naquela ocasião?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

 

Estudo 9 – Em cada tentação, podemos experimentar a vida do Espírito

Se eu lhe perguntasse qual foi a última vez em que você experimentou o poder do Espírito, não sei como você responderia. Talvez você pense: “Não tenho certeza se consigo me lembrar de ter jamais realizado um milagre
ou falado debaixo de alguma unção”. Porém, deixados à própria sorte, estaríamos vivendo para nós mesmos em orgulhosa rebeldia contra Deus. Assim, todo o bem que fazemos é feito no poder do Espírito.

Em cada tentação, você pode desfrutar da vida do Espírito. Pode engajar-se na batalha com uma percepção consciente de dependência do Espírito. Pode conhecer o poder do Espírito à medida que resiste à força dos seus desejos pecaminosos. Tudo o que você precisa fazer é dizer “não” ao pecado e “sim” para Deus.

COLOCANDO EM PRÁTICA
Suspeito que alguns de nós não “sentimos” a obra do Espírito porque não estamos na linha de frente — não estamos na linha de frente da batalha contra o pecado nem da batalha pela missão.

Imagine que esteja dirigindo um pequeno carro, cujo motor mal consegue ultrapassar 50 km/h. Então, certo dia, alguém o presenteia com um carro novo e potente, com um grande motor turbinado. Uma semana depois, você espanta as pessoas ao dizer: “Na verdade, não notei tanta diferença”. Mas elas descobrem que você nunca dirigiu acima de 50 km/h. Você tem este novo carro capaz de acelerar de zero a 110 km/h em três segundos, mas não repara a diferença porque jamais pisou fundo no acelerador. Alguns de nós não “sentimos” o poder do Espírito porque nunca pisamos fundo no acelerador. Não torne a sua vida tão segura ao ponto de nunca ter razão para notar a obra do Espírito.

Como vivemos em comunhão com o Espírito Santo? Dependemos dele. Esperamos que ele opere. Se você deseja ver o Espírito operando em sua vida, então tente fazer coisas que sabe não ser capaz de fazer sem o auxílio dele. Tudo o que fazemos para Deus é feito com o socorro do Espírito, quer sintamos isso quer não.

Mas se você deseja sentir o socorro do Espírito, então tente realizar coisas que pensa estarem acima de suas forças. Não reclame de que Deus não faz nada de emocionante em sua vida se você nunca tenta algo além da sua zona de conforto.

AÇÃO
Assuma algum risco para Deus esta semana.
Pode ser convidar um vizinho para ir à igreja; declarar sua fidelidade a Cristo no seu local de trabalho; oferecer-se para orar com um descrente; ser extravagantemente generoso com o seu tempo ou dinheiro — algo que o faça sentir sua dependência do auxílio do Espírito.

Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela Emanuela está em pé no parquinho, conversando com outras mães enquanto Pedrinho a puxa pela blusa. “Você soube de Roxana? Sabe, a mãe de Jacó? Bem, eu ouvi dizer que…”. Emanuela não soube de nada. Mas quer saber. Um pouco de fofoca para aquecer sua manhã. Um pequeno escândalo para fazê-la sentir-se superior. Ela se aproxima para poder ouvir melhor. “Não”, ela diz a si mesma. “Não se aproxime. É uma má ideia”. Ela retrocede. Era mesmo uma má ideia? Que mal poderia haver em só uma fofoquinha? Aquilo a distrairia naquele dia tedioso. Mas Emanuela pensa na Palavra de Deus. Ela pensa na graça de Cristo que lhe foi dada. Ela quer demonstrar a mesma graça para outros. “Desculpem-me”, ela grita olhando para trás, “preciso ir embora”. Ninguém se dá conta. Estão todas amontoadas em torno do último boato.
Ela sorri. Acabara de dizer não à tentação. Então faz uma retrospectiva de alguns anos atrás. Em sua antiga vida, ela fora conhecida como “a Rainha da Fofoca”. Mas não mais. Não desde que se tornou cristã. É claro que ela ainda é tentada a fofocar. Mas algo mudou. É uma daquelas coisas que não se percebe todos os dias — como o fato de Pedrinho estar crescendo. Ao olhar para trás e relembrar os últimos meses, ela pode ver o Espírito Santo operando em seu coração. “Deus está me mudando”, Emanuela pensa. “Uau!”

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Que perigo você mais corre: o de esperar a glória dos céus agora ou o de esperar muito pouco do Espírito?

• Pense em algumas das maneiras pelas quais você não mais deseja o pecado, bem como algumas das maneiras pelas quais agora deseja agradar a Deus. Cada uma delas é uma obra poderosa do Espírito em sua vida.

• Houve algum momento recente no qual você sentiu a necessidade do auxílio do Espírito? Quais as evidências em sua vida de que você depende de Deus?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

 

Estudo 8 – Em cada Ceia, podemos experimentar o toque do Filho

1 Coríntios 10.16 implica que a Ceia do Senhor é um ato de comunhão ou participação com Cristo. É um ato relacional. Comunhão é um convite à amizade com Cristo: um chamado a desfrutar da presença de Cristo e
experimentá-la.

Cristo de fato está presente ao tomarmos a comunhão. Ele está lá para nos assegurar o seu amor, sua proteção, seu compromisso. O pão e o vinho são sinais físicos de sua presença espiritual. Mas Cristo não está presente conosco em todo tempo, pelo Espírito, como prometeu (Mt 28.20)? Sim. Porém, em sua bondade, sabendo quão fracos somos, quão golpeados pela vida podemos ser, Deus nos deu pão e vinho como sinais físicos da sua presença.

COLOCANDO EM PRÁTICA
No catolicismo romano, o pão é chamado de “hóstia” porque supostamente “hospeda” a presença física de Cristo. Porém, de fato, o próprio Cristo é o hospedeiro ou anfitrião. Ele é o anfitrião que nos convida a comer com ele à sua mesa. As pessoas que servem são o modo de Jesus tomar o pão da mesa e pôr em suas mãos.

Pense dessa forma. Ao tomar o prato ou receber o pão em suas mãos, pense consigo mesmo: “O próprio Jesus está me dando este pão. Ele é o anfitrião desta refeição. Isto é uma dádiva dele. É um sinal do seu amor. É o seu beijo”.

AÇÃO
Ao tomar a comunhão, imagine-se recebendo o pão e o vinho como das próprias mãos de Jesus, como sinal do seu amor.
Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela
Ontem, Deus parecia tão presente para Marcos. Mas hoje… Hoje é diferente. Hoje só há trens superlotados, passageiros suados, uma camisa molhada e o constante vazio deixado pela pequena Rosa. Hoje, Deus é… Quem ele é? Ele não é ausente — Marcos não duvida de que Deus está em todo lugar. Mas Deus também não parece estar de fato presente. Não de uma maneira que Marcos possa tocar ou ver.
“Se eu apenas pudesse tocar em Deus”, pensa Marcos. E, então, ele pensa em como recebeu o pão e o vinho na comunhão, no dia anterior. Havia algo que ele podia tocar. Ali estava a promessa de Cristo em forma física. Aquela era a maneira de Cristo fazer perceptível a sua presença.
Ele pensa no beijo que deu em sua esposa naquela manhã. Na semana anterior, ele recebera uma mensagem de texto dela enquanto estava no trem: “Não ganhei beijo hoje. Ainda me ama? Beijos”. Ele sorriu e respondeu com um emoji. “Assim também serve”, ela respondeu. Foi uma interação bem-humorada, e ele sabia que aquilo importava para ela. Aquele beijo matinal era o sinal do seu amor. Ele pensou no pão mais uma vez.
Eis aqui um sinal do amor de Cristo. Um toque palpável.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Pense de novo na última semana. Houve algum momento em que você sentiu a necessidade de um defensor, fortalecedor, testemunha ou ajudador?

• Que diferença faria se você tivesse olhado por sobre os ombros e enxergado (com os olhos da fé) Jesus presente com você, pelo Espírito?

• Como você enxerga a comunhão? Como você pode considerá-la de modo que ela passe a ter mais significado para você?

• Pense num momento em que um toque amoroso — um abraço, um beijo, um segurar de mãos — tenha significado muito para você. Que diferença faria se você enxergasse a comunhão como um toque amoroso de Jesus?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

Estudo 7 – Em cada dor, podemos experimentar a presença do Filho

Ao lermos as histórias dos evangelhos, descobrimos não apenas como Jesus era, mas também como ele é agora. Descobrimos não apenas como ele se relacionava com o seu povo à época, mas também como ele se relaciona com o seu povo hoje.

• Àqueles que sofrem com a perda, Jesus diz: “Não chorem” (Lc 7.11–17)
• Àqueles que sofrem com a vergonha, Jesus diz: “Vão em paz” (Lc 7.36-50; 8.42–48)
• Àqueles que sofrem com a ansiedade, Jesus diz: “Não tenham medo” (Lc 8.40-56)

Como Jesus se relaciona conosco? Ele se compadece de nós em nossas fraquezas e se compadece de nós em nossas tentações.

COLOCANDO EM PRÁTICA
Como experimentamos Cristo? Lembramo-nos de que Jesus ainda possui um corpo humano e ainda se lembra de como é a vida na terra. Jesus sabe como é ser você. A única diferença é que agora ele tem a capacidade de se compadecer com todos aqueles que são seu povo.

Em si mesma, a compaixão de Cristo não muda as circunstâncias que você enfrenta. Mas ela garante que você não precisa enfrentá-las sozinho. Jesus é por você em suas lutas, até mesmo em suas lutas contra a tentação. Ele não olha com desdém, esperando que você estrague tudo. Ele olha com compaixão. Ele sabe como é. Ele entende. Ele é por você.

O puritano William Bridge escreveu: Certifique-se de que você pensa corretamente acerca de Cristo, do modo como ele satisfaz as necessidades de sua circunstância e do modo como ele é apresentado no evangelho […] As Escrituras apresentam a pessoa de Cristo de forma que o tornam muito amável a pobres pecadores:

• Você é acusado por Satanás, pelo mundo ou por sua própria consciência? Ele é chamado o seu Advogado.
• Você é ignorante? Ele é chamado o Profeta.
• Você é culpado de pecado? Ele é chamado Sacerdote e Sumo Sacerdote.
• Você é afligido por muitos inimigos, interior e exteriormente? Ele é chamado Rei, e Rei dos reis.
• Você está em veredas tortuosas? Ele é chamado o seu Caminho.
• Você tem fome ou sede? Ele é chamado o Pão e a Água da Vida.
• Você tem medo de cair e ser condenado no último dia? Ele é nosso segundo Adão, nosso representante, em cuja morte nós morremos, aquele que satisfez tudo o que Deus requeria de nós.

Assim como não há nenhuma tentação ou aflição para a qual não haja alguma promessa especialmente
apropriada, também não há nenhuma circunstância para a qual não haja um nome, um título ou um atributo
de Cristo especialmente apropriado.4
Pense em qualquer desafio que você enfrente ou necessidade que sinta. Então, identifique algum nome,
título ou atributo de Cristo que lhe seja especialmente apropriado, ou uma história dos evangelhos que exemplifique
a atitude de Cristo para com pessoas em condição semelhante à sua.

AÇÃO
Em qualquer luta que enfrentar esta semana, pense em Jesus olhando para você com compaixão (e não com desaprovação).
Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela
Em casa, Emanuela está conduzindo os filhos até a porta. Um, dois, três. Ela se lembra de Rosa. Quatro.
Todos os dias ela se lembra de Rosa, a quarta filha deles, nascida com uma malformação cardíaca e falecida aos três meses. Ausente, contudo sempre presente. Dois anos depois, Emanuela ainda sofre com a perda. É doloroso. Dói até mesmo aqui, na porta de casa. “O tempo vai sarar”, disseram-lhe. Ela sabe que as pessoas estavam tentando ser positivas. Mas ela não quer “ser positiva”. Às vezes, tudo o que ela quer é chorar.
Emanuela pensa em Jesus chorando com Maria após a morte de Lázaro. “Ele não fez um discurso para Maria. Ele apenas chorou com ela. Jesus sabia o que ela sentia. Afinal, Lázaro era seu amigo”. Emanuela pensa nos amigos que choraram com ela. Aquilo fora confortador. Mas as pessoas pararam de falar sobre o assunto.
Ninguém realmente sabe a dor que ela ainda sente. “Ninguém?” Seus pensamentos se voltam de novo para Jesus. Ela estava falando de Jesus como se ele pertencesse apenas ao passado. Ela pensa em Jesus no céu, olhando do alto para aquele lar. Será que Jesus enxerga o seu coração partido? Sim, certamente ele o faz. Será que ele se compadece de Emanuela como fez com Maria? Jesus disse: “Eis que estou convosco todos os dias”. “Não estou sozinha”, Emanuela diz a si mesma, “nem mesmo nesta tristeza que ninguém mais vê”.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• Imagine Jesus olhando do céu para você. Que expressão você acha que há em seu rosto?

• Considere três histórias dos evangelhos. Em cada uma delas, pergunte a si mesmo: “O que esta história, estas
palavras, este milagre me mostram sobre Jesus e o modo como ele se relaciona com pessoas como eu?”.

• Que situações o fazem sofrer com a perda, a ansiedade ou a vergonha? Que diferença faria ouvir Jesus dizer: “Não chore; vá em paz; não tema”?

• Que aspecto do caráter ou da obra de Cristo se adequa de modo especial às suas atuais preocupações?

Guia de Estudo EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS, por Tim Chester – Editora Fiel

Estudo 6 – Em cada falha, podemos experimentar a graça do Filho

Como Cristo se relaciona conosco agora? Ele se assenta no céu em nosso favor. Ele é nossa garantia de um lugar com Deus. Sua obra na cruz está completa. Mas ela continua falando. Sua obra fala ao Pai como um sinal
permanente de que o preço do pecado foi pago de modo cabal. E fala a nós, com uma mensagem de conforto quando somos assaltados pela dúvida.

Respondemos ao vermos Jesus no céu em nosso favor. Desistimos de nossas tentativas de removermos nossa própria culpa, estabelecermos nossa própria identidade ou provarmos algo a nós mesmos. Em vez disso, descansamos em sua obra consumada. Seguimos Jesus pela fé e nos achegamos com confiança junto ao trono de Deus.

COLOCANDO EM PRÁTICA
Experimente o “bendito escambo” de John Owen. Repasse em sua mente o último dia ou semana. Faça uma lista mental de todas as coisas que você deveria fazer, e não fez, e das coisas que fez, e não deveria ter feito. Pense nos seus pecados cometidos em pensamentos, palavras e obras. Então, entregue-os a Jesus. Imagine-os pregados na cruz vazia. Ponha-se aos pés da cruz e diga: “Jesus foi moído pelos meus pecados”. E, enfim, receba dele o amor, a vida, a justiça e a paz.

AÇÃO
A cada dia nesta semana, separe algum tempo para pensar naquilo que você fez para impressionar os outros.  Então ouça as palavras: “Está consumado”.

Uma manhã de segunda-feira na vida de Marcos e Emanuela
Marcos fecha os olhos de novo e tenta viajar, em sua imaginação, para um lugar bem distante do seu vagão lotado. Ele está prestes a mergulhar nas águas azuis de uma lagoa tropical, quando alguém derrama chá por toda a sua camisa. Ele pragueja, mas, imediatamente, enrubesce. Não apenas porque chá quente escorre por sua barriga, mas porque está envergonhado. “Eu sinto muito. Muito mesmo. É o atraso, o ter de ficar em pé. Eu normalmente não sou tão mal humorado”. A moça, segurando o que sobrara do seu chá, está igualmente envergonhada. “Não, não, a culpa é minha”, ela diz enquanto se espreme entre as pessoas e desaparece.
Ele havia praguejado. Em alta voz. “De onde veio isso?”, ele se pergunta. Mas imediatamente a resposta lhe ocorre: “Do meu coração orgulhoso e egoísta”. Ele pensa no sermão do dia anterior. “Não há nada digno em mim”, pensa, “mas Cristo é mais do que digno”. Ele pensa em Cristo assentado à direita de Deus. “Cristo pôs tudo em ordem”, ele diz. Em alta voz. Algumas cabeças viram-se confusas. Marcos finge tossir. E então ri para si mesmo. Cristo está no céu em seu favor.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
• O que você acha desafiador na vida cristã? De que maneira Jesus já efetuou aquilo que ele requer de você?

• Liste tudo o que você faz para receber a aprovação de Deus ou para impressionar outras pessoas… E então faça um grande xis por todo o papel e escreva “Está consumado!”.

• Como viveremos se pensarmos que temos de merecer a aprovação de Deus? Como viveremos se estivermos confiantes de que temos a aprovação de Deus em Cristo?

• Em que situações você fica super ocupado? Quais medos o levam a se ocupar excessivamente? Como o fato de Cristo estar assentado no céu, governando do céu, acalma o seu agitado coração?

Ajuste o seu foco

Quando você está a procura de algum item nas prateleiras de um supermercado, quando não consegue encontrar seu carro no estacionamento, ou quando não consegue encontrar o caminho de casa, você está precisando ajustar o seu foco. As vezes nossa dificuldade é conseguir concentrar nossa visão em um ponto que é mais importante, para, a partir dele, enxergar os cenário maior.

Quando olhamos para o cântico de Zacarias percebemos que todo seu louvor está conectado com um ponto específico que dirige sua maneira de enxergar a vida e compreender o sentido das coisas. Hoje somos uma geração difusa demais, fazemos, pensamos, assistimos muitas coisas ao mesmo tempo, respondemos as pessoas nos grupos de WhatsApp, lemos o e-mail e trocamos duas ou três palavras com quem estiver perto de nós.

Olhamos em todas as direções, porém, sem encontrar algo que possa dar sentido a todas as coisas, vivemos navegando num oceano digital, mas sem leme, sem vela, sem bússola, sem destino, ao léu, seguindo o fluxo da nova corrente marítima, do novo assunto, da nova moda, da nova “treta” midiática que ocupa a atenção dos comentários gerais.

Contudo, há sim algo no qual podemos nos firmar, há um ponto que devemos nos focar, em Deus e sua obra de redenção. É este o mais importante foco que dá sentido a nossa existência, é isto que Deus está realizando através da obra de seu Filho Jesus, revelando seu caráter e seu plano para nós. Zacarias se foca nisso para declarar seu louvor inspirado pelo Espírito Santo.

Ele focaliza o poder de Deus para resgatar nossa vida das garras do pecado, porque eu e você não podemos nos libertar sozinhos. Ele lembra da fidelidade de Deus em cumprir todas as suas promessas, nos habilitando para o servir todos os dias de nossa vida, saindo das mãos da tirania do pecado para sermos propriedade do bondoso Rei. Ele exalta a misericórdia de Deus em abrir nossos olhos para a terrível realidade do nosso pecado, oferecendo nova vida, luz e direção no caminho da paz.

Se você tem se sentido perdido, desmotivado, como se nada fizesse sentido para você, talvez hoje você precise ajustar seu foco para Cristo e sua redenção, confiando no poder de Deus e não em sua própria força, seguro em sua fidelidade que te capacita para encontrar seu propósito em servi-lo e descansando em sua misericórdia que te guia no caminho da paz. Que seu foco esteja nessa maravilhosa redenção.

Jesus te abençoe! Pr. Eduardo Nunes